Praticamente toda a mitologia nórdica que circula no mundo vem de manuscritos islandeses do século XIII, escritos por autores cristãos, mais de duzentos anos depois da conversão da Islândia, com finalidade literária e didática — ensinar poesia, não registrar fé. Não havia doutrina unificada, nem cânone, nem clero central, e a variação regional era grande.
Isso não invalida o material. Torna-o outra coisa: literatura medieval sobre uma religião extinta, não escritura de uma religião viva. Cada item mitológico deste site carrega, na margem, uma marca de proveniência visível — a fonte, a data do registro e o intervalo entre o evento e o registro.
ODIN
Óðinn — nórdico antigo, de óðr: “fúria”, “êxtase”, “poesia”
O nome não significa guerra. Significa o estado alterado — o furor do combate, o transe do vidente, a possessão do poeta. Óðr aparenta-se ao latim vates, o poeta-profeta. Óðinn é, literalmente, “o senhor do furor”.
Em inglês antigo ele é Wōden, e é dele que vem Wednesday. Quando romanos e germânicos compararam seus panteões, não o equipararam a Júpiter, e sim a Mercúrio — por isso Wōdnesdæg traduz dies Mercurii, e por isso a mesma quarta-feira é mercredi em francês e Wednesday em inglês.
A escolha do nome enuncia o problema deste arquivo: tudo que sabemos sobre Óðinn foi escrito por poetas cristãos islandeses, mais de duzentos anos depois da conversão. O deus da poesia só nos chegou como poesia.
A escala
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ATESTADO
- Documentado por arqueologia ou registro contemporâneo.
FONTE ANTIGA
- Registro contemporâneo ou próximo — no caso nórdico, raro.
FONTE TARDIA
- Registrado séculos depois, na Islândia cristã do século XIII. A categoria dominante deste site.
RECONSTRUÇÃO
- Reconstituição moderna a partir de evidência fragmentária.
INVENÇÃO MODERNA
- Fabricação dos séculos XVIII a XXI apresentada como antiga.
FICÇÃO
- Obra narrativa deliberada.
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